“Elis”

Vi “Elis” no sábado. Não vou nem tentar descrever o que senti porque o Marceu Vieira já o fez com aquele talento que invejo há 30 anos.

Só fiquei matutando: será que há mais gente que lembra onde estava quando soube da morte da maior cantora brasileira com que convivi ? (Elizeth era grandiosa também, mas não cresci com ela no meu ouvido). Porque eu lembro. Estava no Frade, em Angra dos Reis, numa parada de apoio do ônibus que me levava a São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo, onde meu pai servia na Capitania dos Portos. O rádio contou que Elis fora encontrada morta em seu apartamento, provavelmente por overdose.

Passei o resto da viagem deitado nos bancos (não havia ninguém ao meu lado), olhando pro céu, lembrando das músicas que ouvia desde os sete ou oito anos (estava com 21), no “Fino da bossa”, nos festivais de música e, depois da compra de nossa vitrola Matinatta já citada alhures, em discos. Também passei quatro horas temendo ser obrigado a dar a notícia ao velho – ele a amava, sempre separando uma grana para comprar as bolachas que saiam a cada ano. Não precisei. Quando cheguei a São Sebastião, ele já sabia e chorava desde que soubera.

A “pimentinha” também me fez chorar, aos 12 anos,  com “Águas de março”, do álbum também chamado “Elis”, de 72. Abaixo, a versão levada ao ar pelo programa Ensaio, da TV Cultura, em 1973, com cujo vídeo presenteei meu velho, poucos anos antes de ele morrer, em 15 de dezembro de 2014.

 

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